Insistimos em sair de um lugar pensando que mudando de espaço destruímos nossas dores, como se elas não suportassem a nova morada e partissem. Engano nosso, mudar de lugar é transferir a bagagem que muitas vezes não traz apenas porta-retratos felizes, mas inúmeras inseguranças. Mudar de lugar não pode trazer a felicidade se dentro da gente existe um espaço vazio, com fantasmas de um tempo passado, onde um lugar feliz era dentro de um abraço, dentro de um espaço onde dois formam um, com cheiro de alegria, olhares de sonhos e de expectativas de felicidade. Não há mudança externa quando a parte de dentro da gente sente saudade, deseja de novo. Quando a parte de dentro tem na pele uma marca dolorida, na boca um gosto amargo e nos olhos um horizonte cinza. O que nos resta então? Nos resta reaprender, retomar os caminhos. Nos resta a possibilidade de nos encantar de novo, de nos permitir e de ousar ocupar a casa. Nos resta seguir, andar por lugares desconhecidos, ultrapassar nossos limites e perceber que o nosso coração reaprende a construir espaços novos através de outros abraços.
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