terça-feira, 12 de novembro de 2013

Casamento.

Ao casar-se, você deixará de ser você. Abandonará a exclusividade do nome. É líquido, certo, inegável e não tem saída. Será um casal daqui por diante. Todos lembrarão de sua esposa em qualquer lugar que vá.

É estar por um momento sozinho, que sou questionado:

– Cadê a Katy?

Nem cumprimentei direito e tenho que dar explicação. Não tirei o casaco e cumpro interrogatórios. Receberei olhares de pura curiosidade. Enfrentarei cem vezes a mesma pergunta. Nem preciso carregar aliança, encarno a aliança.

– Ela não pôde vir.

– Ela trabalha neste horário.

– Ela mandou um beijo.

Colegas não mais me separam dela. Perdi a identidade para assumir outra. Deixei a posição de pessoa física. Eu me transformei num relações-públicas de nosso amor, num produtor de nosso amor, num secretário de nosso amor.

Desacompanhado, os conhecidos me enxergam pela metade, desfalcado, insuficiente. Hoje não sou mais o Fabrício, sou o Fabrício da Katy.

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