Eu não sou meiga. É claro que sou educada e polida com quem gosto e não gosto. Só que meu jeito de falar é muito incisivo, não sou de dizer amém pra tudo, aprendi a dizer não, demoro um pouco a perder a paciência, mas se me tiram do sério eu explodo. Tem gente que chama isso de autenticidade. "É o meu jeito", dizem. "Sou sincera", reforçam. Eu não gosto de ser assim, detesto ser explosiva, queria ser mais tranquila, pois quando fico furiosa a cegueira toma conta e não há quem consiga dar um jeito. Daí eu grito e depois sempre me arrependo.
Quando falo em fé não falo em Deus, mesmo porque cada um tem o seu. Não importa se você acredita em Santo Antônio, Jesus, Oxalá, Jeová, espíritos, Buda ou é ateu. O que importa é que você tem fé em alguma coisa, mesmo que esse alguma coisa seja você mesmo. A gente precisa ter algo que nos faça acreditar.
Nem sempre acredito no que escrevo, nem sempre minhas linhas são meu reflexo, nem sempre estou de corpo e alma no meio das letras. Eu sou muitas pessoas e isso facilita um pouco as coisas. Isso me ajuda a enxergar, a me distanciar e a me aproximar quando é necessário.
Olha, me desculpa a franqueza, mas não quero saber o que você pensa. Se eu quiser certamente vou te perguntar. Mas não precisa dar uma de amigão do peito, limpar a garganta e começar a falar tudo que você acha certo e errado na minha vida. Já sou maior de idade, minha carteira de vacinação está em dia, sei que tudo tem uma ação e reação. Guarda toda essa energia para melhorar o que está desencaixado dentro de você. Deixa que de mim eu sei.
De vez em quando eu até tento me fazer de durona, mas meu coração é mais mole que mingau de aveia. Não acho isso ruim, só que muitas vezes acabo sendo legal com quem não presta. E no final quem sofre sou eu.
♥ Renatha A. ♥
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